TERÇA A DOMINGO
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© luísa ferreira / 2013
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Exposições // PASSADO

Exposição:
“Caveiras, casas, pedras e uma figueira”

Artistas:
Álvaro Siza Vieira, Júlio Pomar, Fernando Lanhas, Luís Noronha da Costa

Curadoria:
Delfim Sardo

1 de Novembro de 2013 – 16 de Fevereiro de 2014

 

O Atelier-Museu Júlio Pomar foi inaugurado no dia 5 de Abril de 2013. Cedo se constatou que os públicos que a ele têm acorrido são, em grande parte, oriundos quer do universo ligado às artes plásticas quer ligado à arquitectura. A este equipamento cultural assomaram escolas, amantes e profissionais da arquitectura, não apenas com o propósito de conhecer a obra do pintor mas também o edifício que a acolhe. O Atelier-Museu recebeu visitas específicas para estudar o espaço, analisar questões estruturais, a traça exterior da fachada e o pátio na retaguarda, examinar o sistema de fecho das janelas e outros pormenores técnicos que provavelmente escapam a leigos na matéria.

A atenção que o complexo arquitectónico desperta não é inusitada dado que a reconversão do edifício preexistente num espaço museológico é da autoria de Álvaro Siza Vieira, referência incontornável na matéria, o que constitui motivo de interesse para muitos especialistas.

Integrando o programa de projectos paralelos da 3ª Trienal de Arquitectura de Lisboa, a exposição "Caveiras e casas, pedras e uma figueiras" com obras de Álvaro Siza Vieira, Fernando Lanhas, Júlio Pomar, e Luís Noronha da Costa, surge no terreno de convergência entre as diferentes disciplinas praticadas por estes autores, ao celebrarem a invenção que o desenho proporciona àquelas disciplinas, sobretudo, quando alheado de convenções técnicas.

A curadoria da exposição foi entregue a Delfim Sardo, que há muito insiste na correlação entre as artes plásticas e a arquitectura, dando a ver a diferença, a necessária distância, entre aquelas disciplinas mas também os vínculos inalienáveis que as fundam. Ambas laboram mecanismos de representação da realidade, mas enquanto à arquitectura cabe a concepção de espaços com capacidade efectiva para albergar o corpo, as artes plásticas podem ocupar-se dos domínios mais impalpáveis do habitar, gozando por isso de enorme liberdade.

Neste contexto, o desenho assume particular relevância, estabelecendo alguns daqueles vínculos. Através dele dão-se corpo às ideias, instauram-se as ossaturas do edifício, da casa, da construção. O desenho lança estruturas e coloca as primeiras pedras, mas também se instala como uma música, um ritmo, que leva o corpo a perscrutar os lugares mais íntimos, dando-lhes possibilidade de existência e fazendo deles, realidades habitáveis. Como diz Pomar:

“desenhar talvez seja apenas cair na armadilha de um traço, captar o rasto da desregulação que restitui às coisas a sua presença”.

Envolvendo tentativa/erro, repetição e fuga à regra, o desenho permite trazer à superfície da folha uma imagem que antes não existia. Este processo parece implicar um movimento que os artistas conduzem mas não controlam integralmente, como se o traço do lápis os ultrapassasse por momentos, incorporando figurações que os próprios desconheciam. Pomar fala desse instante mágico envolvido no acto de desenhar, assim:

"Temas e variações: foi inspirado na música com que Matisse intitulou a publicação, em 1943, de uma série de cento e cinquenta e oito desenhos obsessivamente repetitivos. (…) Quando o pintor se entrega ao ‘vício’ de aparentemente se recopiar, as folhas de papel que recebem na sua brancura o jogo dos signos – signos que nunca serão os mesmos mas mais ou menos os mesmos –, essas folhas de papel, à medida que vão sendo maculadas, têm tendência a multiplicar-se como as folhas de uma árvore. Ainda de Matisse é esta observação: «numa figueira nenhuma folha é igual a outra; são todas diferentes de forma: no entanto cada uma delas grita: figueira»".
[in "Catch: Thèmes et Variations", 1983]

Em suma, talvez se pudesse dizer apenas que o desenho é guiado pela inteligência sensível, e o motivo mais que determinante para a exposição que o Atelier-Museu agora acolhe, numa colaboração desenvolvida com a 3ª Trienal de Arquitectura de Lisboa.

É também chegado o momento de fazer um especial agradecimento à Fundação Júlio Pomar que, de modo incansável e com a maior prontidão, tem apoiado os projectos desenvolvidos no Atelier-Museu, contribuindo assim para construir outras leituras sobre a obra do pintor.

[Sara Antónia Matos]
Directora do Atelier-Museu Júlio Pomar

Do que falamos quando falamos de desenho? (descarregar)
[texto de Delfim Sardo]

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