TERÇA A DOMINGO
10H // 13H — 14H // 18H
ENCERRA SEGUNDA
ENTRADA GERAL: 2€
Terça-Feira – Entrada Gratuita
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Glossário DE JÚLIO POMAR

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Amazónia
Nas décadas de 80 e 90, depois de ter explorado outros meios plásticos, o artista efectiva um regresso à pintura, onde a cor e o gesto expressionista encontram o seu expoente máximo.
É disso exemplo a série que dedica aos índios da Amazónia, na região do Alto Xingú, após uma estadia em que o pintor acompanha a rodagem do filme “Kuarup”, de Ruy Guerra. O contacto com essa comunidade é uma experiência que transformará a génese do olhar do pintor, isto é, o modo como daí em diante passará a olhar a realidade, transpondo-a para as suas pinturas. Através destas, representando o modo livre como os índios se movimentam, se banham, se entrelaçam, sem atender aos constrangimentos de ordem social, o artista ensaia diferentes relações entre os corpos e o espaço circundante. Da vivência temporária naquela comunidade terá apreendido, acima de tudo, que o acto de ver ultrapassa a imediatez da imagem, que esta se compõe de múltiplas espessuras e camadas, sendo necessário manter o olhar liberto de formatações e preconceitos instalados. [SAM]

Assemblagem/Colagem
Complexo de apreender pela pluralidade de referências que aí concorrem, é no universo da colagem e da assemblagem que o artista equaciona o seu trabalho de forma mais radical. A colagem, iniciada por Braque e Picasso no início do século XX, ganha em Pomar uma amplitude livre e audaciosa que, inclusive, viria a determinar até hoje os seus modos de compor a superfície pictórica, onde signos e camadas aparecem sobrepostos. Além de um questionamento sobre a realidade do quadro, que agrega em si pedaços do real quotidiano (recortes de papel, cartões, tecidos e outros objectos), o suporte de expressão é o lugar para projectar as várias dimensões do corpo. Camada sobre camada, como pele sobre pele, o artista dá a ver ao espectador que a obra é o lugar do corpo e, portanto, o lugar do sentir, das suas relações e dos seus enredos eróticos, algo corporizado, por exemplo, em “La table de l’architecte” (1977). A ideia de junção e conjugação presente em tais colagens é patente também em desenhos como “Étreinte” (1979), cujo título reforça quer o entrelaçamento entre os corpos, quer a sua possibilidade de encaixe. [SAM]

Gesto
No período correspondente à década de 60, o artista enveredou por uma linguagem gestual cujo principal objecto de exploração é o movimento em si mesmo, algo patente nas obras “Estudo em Vermelho (corridas)”, ou mesmo em “Ponte Dom Luís”, onde sobressaem rastos deixados por cavalos ou por automóveis em deslocação. Embora em algumas obras da década de 60 se possam reconhecer temáticas referentes às entradas de touros ou às corridas de cavalos, não pode dizer-se que esse seja o seu tema central. Nestas obras, as figuras resultam de uma tensão entre formas e cores, entre linhas e manchas, parecendo saltar da superfície da tela e avançar sobre o espectador. A imagem, e a sua massa constituinte, aparece e desfaz-se expressivamente, relevando, no processo, um intrigante campo de força onde se confrontam a visão e a representação fenomenológica do mundo.
Os desenhos e as gravuras deste período mostram, por sua vez, como os princípios propostos pela disciplina da pintura reaparecem e são explorados através de outros meios plásticos. [SAM]

Mascarados de Pirenópolis
As obras da série “Mascarados de Pirenópolis” acontece depois de o pintor presenciar as festas do Divino Espírito Santo, uma festa de manifestações profanas e religiosas celebrada na cidade de Pirenópolis, no Brasil. Nessas festas, consagram-se ritos ancestrais que englobam uma dimensão mítica, festiva e ritualista da humanidade. Durante o ritual, o mascarado típico veste-se com roupas feitas daquilo que encontra, muitas vezes de cor intensa, adornadas com flores de papel. Usa ainda uma máscara alusiva ao boi, à onça ou ao diabo, através das quais alude aos sacrifícios e à morte. Figuras simpaticamente estranhas e assustadoras, os “Mascarados de Pirenópolis” apresentam, de facto, um carácter quase xamânico. [SAM]

Neo-Realismo
O neo-realismo nas artes plásticas, nas décadas de 40 e 50, corresponde a uma expressão que se queria próxima da realidade social, politicamente empenhada e sobretudo legível pelo observador.
Empenhado num exame atento da realidade, Júlio Pomar não admite, contudo, reduzir a sua prática artística a uma interpretação panfletária. Caracterizada por tons escuros e traço curvilíneo, sinuoso, a linguagem pictórica deixa entrever figuras entre figuras, como é patente na obra “Resistência” ou assume uma rigidez formal que confere às formas o aspecto de máscaras ou de sólidos geométricos, tal como em “Azenhas do Mar”. Capaz de comunicar por via metafórica aquilo que não pode ser dito de forma explícita, a pintura de Júlio Pomar correspondente a este período não passa indelével no contexto político de então, e, como tal, não pode ser esquecida na génese da sua obra. [SAM]

CONTRIBUIÇÕES
Sara Antónia Matos | [SAM]
Pedro Faro | [PF]